Por Dr. Rodrigo Hermones · CRM-MG 41272 · RQE 15018 · 14 de setembro de 2026
Dr. Rodrigo Hermones — CRM-MG 41272 · RQE 15018 · Ginecologista, Obstetra e Medicina Integrativa. 22 anos de experiência clínica em ginecologia e obstetrícia. Atende em Nova Serrana, MG e por telemedicina para todo o Brasil.
A testosterona não é um hormônio exclusivamente masculino. Os ovários e as glândulas adrenais da mulher também a produzem, em pequenas quantidades, ao longo de toda a vida reprodutiva. Com a menopausa e o envelhecimento, esses níveis caem de forma progressiva — e, em algumas mulheres, isso pode justificar a indicação de tratamento com reposição hormonal.
O que é o Desejo Sexual Hipoativo (DSH)?
O Desejo Sexual Hipoativo é uma condição médica reconhecida, caracterizada pela ausência ou diminuição persistente do interesse e da motivação sexual, causando desconforto ou sofrimento pessoal — não é apenas uma variação natural da fase de vida. Ele costuma vir acompanhado de outras alterações da resposta sexual, e é por isso que o tratamento, quando bem indicado, pode impactar mais de um sintoma ao mesmo tempo.
Se você percebe que isso descreve o que vem sentindo, o primeiro passo é marcar uma consulta com ginecologista para uma avaliação completa e individualizada.
Benefícios comprovados da reposição de testosterona
O Consenso Global sobre Terapia com Testosterona em Mulheres (Davis et al., endossado por dez sociedades internacionais, incluindo International Menopause Society, Endocrine Society e ISSWSH) reúne os estudos randomizados controlados mais robustos sobre o tema. A indicação com evidência sólida é o tratamento do DSH na mulher na pós-menopausa, com melhora documentada nestes domínios:
Desejo sexual
Aumento da frequência e da intensidade dos pensamentos e do interesse sexual.
Excitação e resposta subjetiva
Melhora da percepção de excitação durante o contato íntimo.
Prazer e orgasmo
Maior facilidade para atingir o orgasmo e relatos de maior prazer.
Frequência e satisfação sexual
Aumento do número de experiências sexuais satisfatórias.
Sofrimento pessoal relacionado ao sexo
Redução do incômodo e da frustração associados ao DSH.
Outros efeitos relatados na prática clínica (ainda em estudo)
Muitas pacientes relatam melhora também nestes aspectos durante o tratamento. São efeitos biologicamente plausíveis, mas o próprio Consenso Global é explícito: atualmente não há evidência suficiente para garantir esses benefícios de forma isolada, e eles não são indicação aprovada para o uso de testosterona.
- Disposição, energia e sensação de bem-estar geral
- Humor e motivação
- Foco, memória e clareza mental
- Força muscular e composição corporal
- Densidade óssea
Quem pode se beneficiar do tratamento?
Quando a reposição costuma ser indicada
Mulheres na pós-menopausa com diagnóstico de DSH, após avaliação médica cuidadosa que exclua outras causas — como problemas de relacionamento, ansiedade, depressão, uso de certos medicamentos, disfunções da tireoide, dor durante a relação (dispareunia) ou ressecamento vaginal, que têm tratamentos próprios e muitas vezes precisam ser abordados em conjunto.
Quando não é indicada
Câncer de mama ativo, gravidez, amamentação e outras condições que serão avaliadas individualmente na sua consulta particular.
Como funciona a reposição de testosterona
Via de administração
A via preferencial é a transdérmica (creme ou gel de manipulação em dose feminina), permitindo ajuste fino da dose. O objetivo é sempre restaurar a testosterona para a faixa fisiológica normal de uma mulher jovem — nunca atingir níveis masculinos. Não existe, até o momento, produto com bula aprovada especificamente para mulheres no Brasil; por isso, o tratamento é sempre individualizado e acompanhado de perto.
Acompanhamento e segurança
Dosagem de testosterona antes de iniciar o tratamento, reavaliação em 3 a 6 semanas e depois a cada 6 meses. Efeitos colaterais como acne, oleosidade da pele ou aumento de pelos costumam estar relacionados a dose excessiva e são reversíveis com ajuste.
Perguntas frequentes sobre testosterona na mulher
Testosterona engorda ou deixa a voz mais grossa?
Na dose fisiológica feminina, esses efeitos não são esperados — só costumam surgir com doses excessivas. Por isso o acompanhamento médico com exames periódicos é essencial durante todo o tratamento.
Qualquer mulher pode fazer reposição de testosterona?
Não. A indicação com evidência científica é para mulheres na pós-menopausa com diagnóstico de DSH, após avaliação que exclua outras causas. Uma consulta com ginecologista é o único jeito seguro de saber se esse é o seu caso.
Em quanto tempo os resultados aparecem?
Varia de paciente para paciente. A primeira reavaliação costuma ocorrer entre 3 e 6 semanas após o início, quando a dose é ajustada conforme a sua resposta.
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Dr. Rodrigo Hermones — CRM-MG 41272 · RQE 15018 · Ginecologista e Obstetra · Medicina Integrativa. Edifício Camel Center, Sala 1507 · Nova Serrana, MG · @drrodrigohermones
⚖️ Este artigo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico e a prescrição individualizada feitos em consulta médica. Referências: Davis SR, et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women, 2019. Parish SJ, et al. ISSWSH Clinical Practice Guideline for HSDD, 2021. FEBRASGO — Consenso Brasileiro de Terapia Hormonal da Menopausa, 2023.